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TV Meio Ambiente na Escola

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Bate-papo ambiental

Alunos da Escola Estadual Castelo Branco de Lajeado com as professoras Neli Machado (Univates) e Eliane Beatriz da Silva
Imagens: Cintia Marchi

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TV Meio Ambiente na Escola

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Assista o vídeo dos índios Caingangues de Lajeado aprendendo o idioma indígena
Imagens: Cintia Marchi

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Sociedades indígenas e a natureza

segunda-feira, 16 de abril de 2012

 

O conceito de sociedade e de natureza é culturalmente produzido. Os arquétipos míticos para a relação das sociedades indígenas com a natureza não são os mesmos das sociedades herdeiras do passado judaico-cristão que, influenciadas pelo mito bíblico por séculos e ao pé da letra, acreditaram que ao homem foi dado o direito de dominar e usufruir rios, animais, plantas e tudo mais que a natureza oferece. A filosofia racionalista prosseguiu nessa linha afirmando que saber é poder e que nosso espírito nos faz senhores e donos dessa mesma terra, causando conflitos filosóficos em qualquer cultura.

Tratando-se especificamente das sociedades ameríndias, é preciso refutar a concepção implícita em discursos que ainda insistem em propagar que os indígenas são os preservadores da natureza até porque, independente etnicamente da descendência, as sociedades humanas vão impactar a natureza.

No Vale do Taquari, tradicionalmente ocupado por sociedades indígenas, circunscritas em territórios principalmente da Bacia Hidrográfica dos rios Taquari-Antas, pesquisas acadêmicas retrocedendo a uma dilatada escala cronológica, anterior ao início da era cristã, atestam a existência de dois nativos: os tupi-guaranis (indígenas guarani) e os jês (indígenas caingangues). A cultura material dessas sociedades é associada a grupos com uma economia baseada na horticultura. Essa oferta facilita a aquisição e exploração de produtos básicos na dieta alimentar e na aquisição de elementos para a elaboração de artefatos.

Tais grupos de ceramistas podem ser pensados sob dois ângulos. Em um deles é possível associá-los aos antigos caçadores e coletores do Planalto das Araucárias. Os caçadores adaptaram-se e mudaram sua relação com o meio e a própria subsistência. Em outra reflexão é possível pensar em um novo grupo social estabelecendo-se na região das araucárias e trazendo consigo novas formas adaptativas. Assim, desde 2000 antes do presente, a Floresta das Araucárias estava ocupada por caçadores produtores de cerâmica. Homens que coletavam grande quantidade de uma semente de modesto teor de proteína – o pinhão – e praticavam indícios de manejo de plantas. Embora não seja regra a dependência da agricultura e a produção de uma cerâmica simples, porém resistente, essa relação vinha acompanhada da seleção de plantas transformadas para fins medicinais, alucinógenos e de consumo.

A adaptação ao clima e ambiente, ou o próprio estilo cultural, fez desses homens grandes engenheiros. Algumas habitações eram construídas abaixo do solo, com túneis interligando as casas. As estruturas feitas no solo estão marcadas na paisagem até hoje. Essa foi uma das transformações físicas na paisagem mais lembradas pelos europeus e descendentes que ali se estabeleceram. Com a representação dos buracos de bugre, o imaginário europeu se desenvolveu sob o medo dos ataques dos nativos e sobre o fascínio pelas populações nativas.

Quanto às planícies florestadas da porção sul do Vale do Taquari, não se sabe exatamente quais grupos a ocupavam até a chegada dos guaranis. Talvez caçadores que, sem a opção dos campos abertos ou com a percepção do avanço da floresta subtropical sobre os pequenos nichos de mata, repaginaram as antigas formas de organização social.

A arqueologia demonstra que o período de ocupação guarani no Vale do Taquari é de 1,5 mil anos antes do presente. No Vale do Taquari, os indícios arqueológicos demonstram a preferência dos guaranis pelas terras baixas, ou melhor, as que acompanham planícies e várzeas férteis. Tais traços fazem referência a uma tradição iniciada na Amazônia para a ocupação desses agricultores e, por diversos fatores, reproduzida nos campos do sul.

Além das várzeas, largamente habitadas por guaranis, questiona-se sobre os limites de ocupação desse grupo. Em relação a isso sabe-se que as áreas de planalto não foram tomadas por guaranis, ao menos até o momento da conquista europeia. Entre os impactos causados pela ocupação guarani no território, a agricultura foi marcante para a paisagem do Vale do Taquari. Mesmo que caçadores horticultores – habitantes das florestas de araucárias – praticassem algum tipo de manejo de plantas, foram os guaranis que mais aproveitaram a floresta subtropical e o solo dessas regiões para a domesticação e a produção de alimentos.

Com o advento humano na América e as sucessivas invenções, a expansão de vegetais e introdução de novas plantas em territórios distintos acabaram por acrescentar novas paisagens aos lugares. Ou melhor, pode-se dizer que foi inaugurado com a sociedade guarani o intercâmbio de plantas de longa distância no Brasil.

A maior parte da paisagem constituía-se de mata. Portanto, as práticas agrícolas utilizadas pelos guaranis requeriam a limpeza do mato para a estruturação de um espaço de plantio. Sabe-se que muitas árvores foram retiradas para o estabelecimento de suas culturas. O principal meio utilizado para tal tarefa era o fogo, técnica conhecida nacionalmente como coivara. Ainda hoje, os agricultores ribeirinhos da Amazônia, assim como os pequenos agricultores do século XIX, até as décadas de 1950 e 1960 do Vale do Taquari, utilizavam a técnica. Além da derrubada do mato para as roças, a coivara buscava a fertilização do solo.

Os machados de pedra, polidos ou apenas lascados bifacialmente, também poderiam fazer o trabalho da derrubada de árvores. A pedra parece ter uma função bastante recorrente para a agricultura guarani e para a ação destes sobre a mata. Talvez mais recorrente do que a cerâmica guarani. A cerâmica foi e continua sendo o traço mais marcante da cultura guarani pré-histórica, estudado, como se sabe, pela arqueologia. Por sua vez, as peças líticas, aliadas ao fogo, foram instrumentos-chave para a derrubada do mato e a fertilização de solos pouco nutridos, tornando-se elementos relevantes para a agricultura. Da mesma forma, a manutenção da roça, feita pelas mulheres guaranis, e em menor escala pelos homens, dependia basicamente de artefatos feitos de pedra, como as enxós e enxadas, e da madeira para os cabos e para a criação de instrumentos, também confeccionados com instrumentos feitos de pedra.

Os territórios guarás, tekohá e teiî (guarani) ou emã e wãre (cainguangue) são os ambientes em que se estabelecem os diversos sistemas de representação e conexões entre o mundo natural (homens, animais, plantas) e o sobrenatural (espíritos humanos, espíritos animais e espíritos das plantas).

Na cosmologia indígena, a natureza não está subordinada ao homem, sendo fundamental o respeito à biodiversidade. Entre os guaranis que viveram no Vale do Taquari até praticamente o século XIX, e que na atualidade ainda não retornaram para esse tradicional território, a concepção existente para essa etnia é que tudo existente na natureza é dual, ou seja, são manifestações de seres cósmicos eternos. Sendo assim, a coleta (mel de abelha, frutos), o cultivo (mandioca, milho, abóbora), a caça (porco do mato, bugio) e a pesca (lambari, traíra) necessitavam de rituais envolvendo dádivas e reciprocidade para com a natureza antes de serem praticados.

Tratando-se dos cainguangues presentes no Vale do Taquari tanto no passado quanto na atualidade, acreditam que na linguagem dos pássaros, a coruja, por exemplo, pode trazer avisos de coisas boas ou não; da taquara, a fibra é utilizada para cestaria; os nós para a contagem do tempo; e o gomo para cortar o cordão umbilical dos recém-nascidos; com o banho no rio, o espírito das águas pode levar os males embora; e o etnoconhecimento de plantas, como a cancorosa, folhas de pitanga, entre tantas outras, possibilitam medidas medicinais pelos espíritos da mata.

Por fim, não é nossa intenção quantificar ou discutir quais os grupos étnicos que mais transformaram a natureza ou as tradições que se mantiveram ou foram reatualizadas, mas, sobretudo, levantar reflexões acerca das relações, principalmente dos indígenas para com esta. Isto é, tratando-se do Vale do Taquari, percebe-se que enquanto as discussões por parte da sociedade não indígena tornaram-se acaloradas nos últimos tempos em decorrência do Novo Código Florestal e criação de um Corredor Ecológico, na Terra Indígena Foxá, as lideranças perceberam e estão preocupadas como qualquer outra sociedade, bem como discutindo a redução das matas e, na Terra Indígena Linha Glória, as matriarcas do grupo encontram-se ansiosas com o que vai acontecer com os passarinhos, os tatus, as borboletas e o capim em decorrência da duplicação da BR-386. Portanto, as perspectivas da relação dos indígenas com a natureza tanto no passado quanto na atualidade realmente ainda continuam sendo outras.

Univates

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A natureza como fonte de cura: chás

segunda-feira, 16 de abril de 2012

 

A utilização de plantas medicinais para prevenir e até curar doenças é uma prática milenar, utilizada pelo homem desde a Idade da Pedra. A cultura passou de geração para geração, e hoje é difícil encontrar uma pessoa que não saiba que determinada planta é boa para algum órgão do corpo ou para combater alguma moléstia.

Pensando nessa tradição, a Emater/RS-Ascar de Santa Clara do Sul desenvolve um projeto em que mostra as utilidades das mudas para os grupos que são atendidos pela instituição. Nesses encontros, se aprende a fazer pomadas, repelentes, elixir, chás, a maneira correta de utilizar as substâncias e para que servem determinadas plantas. “Realizamos um levantamento e ensinamos práticas conforme a necessidade dos interessados”, destaca a extensionista de bem-estar, Sandra Gerhardt.

Também é frisada a necessidade de se conhecer o nome científico da planta, seu uso correto e que, em casos graves, ela não pode ser substituída por medicação. “Incentivamos a sabedoria popular, mas é preciso usar com segurança, pois assim como o remédio, as plantas, se usadas de forma incorreta, tornam-se tóxicas.”

Os pedidos mais frequentes são a pomada de calêndula, para alergia e queimaduras; boldo, para estômago; cidreira, para febre e gripe; citronela, para fazer repelente.

A Emater mantém o relógio do corpo humano, que funciona da seguinte forma:

- É feita uma horta em formato de relógio, com o plantio de diversas plantas em lugares estabelecidos.
- Isso porque, no nosso corpo, cada um dos órgãos apresenta duas horas máximas de atividade diária.
- Portanto, o relógio do corpo humano simboliza de forma didática os horários e as plantas medicinais com maior atividade em relação ao órgão correspondente.

 

Faça você mesmo

Pomada de calêndula

Utilização
Alergia, manchas, queimaduras

Ingredientes
30ml de tintura de planta de calêndula
1 colher de lanolina (opcional)
2 colheres de vaselina sólida

Preparo
Ferver, em banho-maria, 30ml de tintura até terminar o líquido, ressaltando o extrato mole na parede do prato. Juntar a lanolina com uma espátula, retirar todo o extrato mole, misturando bem. Acrescentar a vaselina e misturar bem. Deixar descansar por 24 horas.

 

Bruna Lovato
brunal@informativo.com.br

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Aldeia aguarda transferência

segunda-feira, 16 de abril de 2012

 

Aldeia Estrela não é considerada reserva indígena, mesmo assim serve de moradia para as famílias que passaram a disputar espaço com a BR-386. A necessidade de mudança do local onde elas vivem se justifica pelo risco que a duplicação da rodovia impõe aos indígenas que ocupam a faixa de domínio da via.

Desta forma, o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), com a Fundação Nacional do Índio (Funai) e com a própria comunidade, identificou uma área para a realocação das casas e da escola de modo a garantir a segurança física dos indígenas.

O Dnit garante que a nova aldeia contará, além das casas, escola e local de artesanato, com sistemas de abastecimento de água, por meio de poço, sistema de esgotamento sanitário com fossas sépticas e sistema de energia elétrica. Mas a transferência não é para logo. Segundo informações do departamento, o processo se encontra na fase de elaboração do projeto executivo de engenharia.

Processo é burocrático

A nova aldeia Estrela se localizará perto da atual, mas em porção mais elevada topograficamente, protegida por uma mata e mais distante da rodovia. Para a transferência das famílias indígenas, inicialmente foi realizada escolha do local, com a participação da comunidade. Uma vez escolhido, foi verificada sua viabilidade do ponto de vista da possibilidade de desapropriação da área. Verificados tais aspectos, foi instruído o processo de desapropriação, que tramitou pelo Dnit, em Brasília, e durou cerca de cinco meses. Paralelamente, foram realizadas quatro reuniões com lideranças da comunidade para discussão e aprovação do projeto básico da nova aldeia.

Mediante aprovação da proposta, o Dnit agora vai detalhar o projeto executivo da aldeia, com seu respectivo orçamento. De posse desses dados, será realizada licitação pública para contratação das obras. Esta licitação depende de um conjunto de análises técnicas e jurídicas a serem realizadas em Brasília. Após conclusão da licitação, o Dnit assinará o contrato para início das obras. Somente após o fim deste trabalho é que as famílias serão efetivamente transferidas para o novo local. Todo o processo é acompanhado diretamente pela Funai.

 

Reserva indígena

 As reservas e terras indígenas são áreas identificadas mediante estudos antropológicos que determinam se havia ou não ocupação tradicional de populações indígenas em determinado local. Caso seja demonstrado que determinada área abrigava populações indígenas no passado e que possui recursos naturais que permitam, na atualidade, a reprodução física e cultural de comunidades da mesma etnia, esse espaço poderá ser demarcado como terra indígena.

 

Susana Leite
susana@informativo.com.br

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Fitoterapia – Uma farmácia no quintal

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Há mais de dez anos a dona de casa Claedis Ströher, moradora do Centro de San­ta Clara do Sul, tem mais de 30 tipos de plantas nos fundos de casa. As mudas são utilizadas como chás para tratar alguma moléstia não muito grave e para temperar a comida. Os vizinhos também batem na porta de Claedis para buscar algumas plantas.

Anis, cidró, babosa, chapéu-de-couro, alcachofra, carqueja e mais uma infinidade são utilizados por ela e pela família que não toma nenhuma medicação. “Eu e meu marido temos colesterol um pouco elevado e tomamos chá de carqueja. Hoje não uso nenhum remédio para nada, só as plantas. Tenho tudo do que preciso aqui nos fundos de casa.”

Outra muda bastante utilizada por ela é a hortelã, para o funcionamento do intestino. “Agora todas as que tenho aqui estão um pouco murchas por causa da seca, mas logo elas retomam a força”, garante.

 

Adubo orgânico

Para manter a qualidade das plantas, Claedis não deixa de regá-las de manhã bem cedo e utiliza apenas adubo orgânico. O engenheiro agrícola da Folhito Adubos Orgânicos, Daltro Gonçalves Machado, explica que o insumo natural é importantíssimo para a planta por fornecer quantidades e diversidade de nutrientes que habilitam as lavouras e pastagens a desenvolver seu potencial produtivo, contribuindo para a redução de custos de tais atividades. “E é fundamental que se destaque que ao dar destinação racional aos resíduos não os deixando chegar aos lixões urbanos e às fontes d’água contribuem para um meio ambiente saudável e, ao reduzir o uso de produtos sintéticos – os agroquímicos -, possibilitam que se ofereçam alimentos mais limpos ao consumidor”, observa.

 

Adubo x agrotóxico

Quando se fala em plantio pergunta-se logo sobre a utilização ou não do adubo orgânico ou do agrotóxico. Machado acrescenta que o adubo orgânico é o alimento da planta. Os agrotóxicos são os “venenos” utilizados para o combate ou prevenção às pragas e doenças das lavouras e pastagens.

“Agora, é importante que se lembre que uma planta bem nutrida resiste mais ao ataque dos insetos, das plantas invasoras, bactérias, fungos, etc. E planta bem nutrida só em solo bem nutrido, o que ocorre com a inclusão do adubo e da matéria orgânica” 

Bruna Lovato
brunal@informativo.com.br

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Índio na natureza: Relação histórica de sobrevivência

segunda-feira, 16 de abril de 2012
 

 

Difícil visualizar, mesmo que mentalmente, o Brasil de 500 anos atrás. Como era o ambiente? Era o paraíso pouco modificado pela ação do homem? Este olhar, no entanto, fica mais evidente para os indígenas que são nativos e, de geração em geração, tiveram o trabalho de ensinar sua cultura, rituais e costumes aos mais jovens. E, como uma roda que gira, é fácil ouvir um cacique falando de séculos passados como se fossem ontem. A relação do índio com o meio ambiente, embora apresente mudanças, continua sendo estreitamente entrelaçada.

O cacique Francisco Rokãn dos Santos (51), que há dois meses assumiu a Aldeia Fosá, situada no Bairro Jardim do Cedro, Lajeado, considera que o olhar do índio sobre o meio ambiente é diferente que do “homem branco”.

“Quando o Brasil foi invadido, meio ambiente era, para nós, muito agradável, e a gente tirava sustento deste ambiente natural. Hoje dificultou muito. E nosso olhar é tentar defender o que resta.” Seu Francisco nasceu numa tribo, em Nonoai, bem ao norte do Estado.

Em seus anos de viagem pelo Rio Grande do Sul, em contato com diversos territórios, a sabedoria do cacique entende que a proteção do meio ambiente está ligada à sobrevida. “Sem mato, não temos alimento. No passado, fazíamos artesanato para nosso próprio uso, para colher frutas, carregar peixes. Hoje, o mato não tem mais caça, e somos obrigados a comercializar o artesanato para comprar comida na cidade.”

A aldeia

Atualmente, a Aldeia Kaingang Fosá se situa num pedaço de terras com um pouco de mato, à margem da ERS-130. Ali tem oito casas, onde moram 16 famílias. Cerca de 70 pessoas formam o povoado.

A ligação dos indígenas com Lajeado é histórica. O cacique Francisco Rokãn conta que seus antepassados sempre tiveram território nestas redondezas. “Eles deixavam suas esposas na aldeia e utilizavam os rios da região para trazer alimento para a comunidade.” Num certo momento, algo em torno de 60 anos atrás, o caincangue lembra que o governo obrigou as pequenas aldeias a se retirar para os grandes territórios, aglomerando os povos no Alto Uruguai, em Nonoai. “De lá, a gente não podia sair.

Mas em 1988, com a nova Constituição Federal, as leis começaram a reconhecer os indígenas como cidadãos. Hoje nós votamos, elegemos prefeito, vereadores, presidente. De menores passamos para cidadãos com direito de ir e vir, e isso deu ao índio o prazer de voltar aos seus territórios antigos. Diz o mandamento do indígena que ele não pode deixar sua moradia, porque é território sagrado e não dá para sair daqui.”

 

 

Educação

As crianças da aldeia estudam em escolas regulares para aprender o português, mas dentro do povoado há um professor que leciona a língua caingangue. Uma vez por semana, cada turma tem aula com o professor Ezequiel Loureiro que se alfabetizou em Nonoai. “Não importa o lugar onde estamos, temos que manter nossa cultura. A nossa língua não pode ser perdida, temos que valorizá-la. E é importante exercitar ela (sic) porque as crianças já crescem no meio urbano com a influência de outra cultura”, enfatiza Loureiro.

“Os pequenos cooperam, os grandes não”

O cacique conta que, em Nonoai, até seus 9, 10 anos, tomava água de nascente. Hoje não é mais possível porque as fontes secaram. “A água que saía filtrada do próprio chão se acabou e, para nós, isso é uma doença. Nosso Rio Grande do Sul está cheio de eucalipto que suga nossa água, está acabando com nossa floresta e não dá fruto para os pássaros”, protesta o indígena.

Para ele, porém, o maior problema relacionado à escassez dos recursos naturais é a atuação das grandes empresas, as que não têm responsabilidade com o meio onde estão inseridas. “Os pobres, os pequenos cooperaram, os grandes não. Nós não pensamos em dinheiro, em ficar rico. Eu não quero comprar uma aeronave. Minha missão é cuidar do meio ambiente, ter comida decente, ter saúde e educação. Com isso já me considero riquíssimo.”

Artesanato

Se a flecha já fez tanto sentido para o índio nas caças do passado, hoje é o artesanato que garante comida para as famílias. As habilidades manuais com materiais encontrados na própria natureza garantem renda para a aldeia.

O cacique Francisco conta que quando a Fundação Nacional do Índio (Funai) surgiu, em 1967, ela teria orientado os indígenas a ser agricultores. “Meu pai era obrigado a plantar. Mas como sem recurso e com áreas degradadas iríamos produzir? Então, com meus 14 anos, comecei a fazer flechas para vender, e eu entendi que poderia viver do meu próprio artesanato e ter sustento com meus costumes”, relata.

Dessa maneira, a convivência com o meio urbano se aproximou. “A gente convive com a cidade. Temos esse câmbio de vender artesanato lá para comprar comida para nossos filhos.” No entanto, o líder estranha ainda algumas reações dos outros homens. “Ainda existe aquele branco que diz que se eu fosse índio eu tinha que andar pelado, não tinha que estar usando celular. Se eu for andar pelado, eu vou preso. Tivemos que nos adaptar ao modo de viver do branco.”

O cacique faz sim uso de telefone móvel e considera importante essa tecnologia. “A tecnologia facilita a comunicação e temos que aceitá-la.” Só que ele faz questão de salientar que a tecnologia em que mais acredita é a do seu povo. “Esta não falha. A minha experiência está na lua, ela me mostra quando vai chover”, frisa o caingangue.

 

Cintia Marchi
cintia@informativo.com.br

 

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Bate-papo ambiental

segunda-feira, 16 de abril de 2012

 

O Meio Ambiente na Escola passa a trazer, a cada edição, o resultado de uma ação direta com os alunos. No Colégio Estadual Presidente Castelo Branco, de Lajeado, reuniram-se turmas do 1º ano do Ensino Médio para um bate-papo sobre o povo indígena na atualidade.

Foram convidadas a professora do curso de História da Univates, Neli Machado, e a professora de História do Castelinho, Eliane Beatriz da Silva. Veja as questões que surgiram durante o diálogo.

 

Para refletir: índio na atualidade
 

Professora Neli Machado

“Os rituais dos indígenas sempre foram associados à natureza, seja no meio da floresta, seja no deserto. Diferentemente deles, as outras sociedades sempre criam dia para tudo. Tem o Dia da Árvore, o Dia do Meio Ambiente. São duas culturas que veem o mundo de forma diferenciada. Não é à toa que os indígenas vivem aqui há 12 mil anos sem ter feito grandes alterações e, nós, em 500, modificamos muito.”

“Todo dia, o indígena é marginalizado. Por decisões da sociedade, eles sempre são chamados a se retirar de onde estão.”

“Os índios não querem nada do que a gente tem. Eles querem vender seu artesanato na beira da estrada e ser vistos sem nojo, sem medo. Eles não têm um conceito de harmonia com a natureza, eles vivem na natureza.”

“Os indígenas são pessoas gestoras. Eles são seres humanos que vivem no século XXI, têm tecnologia, computadores, televisão. Eles queriam continuar vivendo como seus antepassados viviam, mas foram forçados a se adequar à nossa cultura.”

 

Professora Eliane Beatriz da Silva

“Fazer história é viajar sem sair do lugar. Gostaria muito de aprofundar esses temas, como o dos indígenas, mas estamos engessados pelo tempo e pelo conteúdo dos livros didáticos.”

“Os alunos, na maioria, têm a ideia de que os indígenas são intelectualmente diferentes porque isso está incutido no pensamento dos estudantes. É a visão que a sociedade tem.”

“Mesmo que seja difícil abordar a questão dos índios em sala de aula, acredito que a História é o momento inteiro, e a curiosidade dos alunos dá condições de a escola promover alguma atividade diferente.”Enquete

“A sociedade, em geral, exclui os índios e a sua cultura. Eles acompanharam a atualidade, têm escola, frequentam a cidade. Embora a escola não fale muito sobre a história indígena, depende de cada pessoa que se sentir interessada pesquisar mais sobre os povos.”

Amanda Appelt

“O povo brasileiro acha ainda que o índio não evoluiu. A mentalidade é antiga. As pessoas têm que prestar mais atenção, só que elas preferem excluir a se relacionar e não estão ligadas no que o índio pensa. A receita seria se aproximar, sem preconceito.”

Lucas Rissini Campos

“A questão é respeito. Temos que respeitar os indígenas. Cada um de nós tem sua particularidade e é um erro julgar os outros pela diferença. Penso que a minha geração pode começar a mudar isso e lançar um olhar diferente sobre os índios para ajudá-los.”

Cahetano Specht

 

Cintia Marchi
cintia@informativo.com.br

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Arborização: Entre o concreto e o verde

segunda-feira, 16 de abril de 2012

 

procura por explicações sobre como plantar árvores e a forma de construir canteiros na área urbana é tanta que, em Lajeado, a saída foi a implantação do Plano Municipal de Arborização Urbana. “Tarefa que não foi fácil, e após cerca de um ano de discussões, chegou-se ao final do trabalho que constitui o plano que traça as diretrizes a serem seguidas por qualquer cidadão de forma prática e objetiva”, comenta a secretária de Meio Ambiente, Simone Schneider.O documento começou a ser elaborado por meio de uma câmara técnica, formada pela parceria entre o Conselho Municipal de Meio Ambiente e a Secretaria de Meio Ambiente.

São 300 áreas verdes institucionais distribuídas pela cidade. Mas na área de maior circulação do Centro, impera concreto. A falta de arborização é lembrada no verão, quando a falta de um refúgio para o sol castiga quem transita nas principais ruas de comércio. A secretária considera que as árvores estão bem distribuídas, mas o Centro ainda preocupa. “Precisa haver uma mudança de cultura”, diz Simone. Se de um lado as árvores são praticamente nulas, por outro, a falta de planejamento ao plantá-las também provoca prejuízos.

Quando a cidade começou a ser urbanizada, não havia planejamento arbóreo. Dessa forma, existem muitas antigas plantadas inadequadamente que, em razão do porte, provocam danos à fiação elétrica, por exemplo. “Isso faz com que tenhamos problemas nas calçadas e com podas drásticas”, cita a secretária.

A alternativa para solucionar este tipo de problema é, a médio prazo, inventariar as espécies que apresentam problemas mais significativos e substituí-las por outras mais adequadas. “Mas a curto prazo, já está se trabalhando com os empreendedores de novos loteamentos, por exemplo, que a arborização das calçadas seja aprovada pela secretaria, para que possamos evitar problemas futuros.”

A flora condensada na cidade

Os parques e áreas verdes nas cidades cumprem um papel fundamental nos centros urbanos. As áreas verdes se constituem em espaços públicos com algum tipo de vegetação dentro do perímetro urbano.

Neste conjunto, são englobadas praças, jardins públicos e parques urbanos, que cumprem funções estéticas, ecológicas e de lazer. “Arborização urbana não é feita somente de árvores nas calçadas”, defende Simone.

Plano Diretor

O Plano de Arborização está em vigor desde 7 de junho de 2010. Segundo a secretária de Meio Ambiente, Simone Schneider, o documento considera o princípio do desenvolvimento sustentável, da precaução, a importância da arborização urbana para a qualidade de vida da população, a contribuição da arborização urbana para amenizar os efeitos da alta temperatura nas cidades e propiciar um ambiente visualmente agradável aos habitantes e visitantes. O plano encontra-se disponível no site da Prefeitura de Lajeado, no www.lajeado.rs.gov.br

Susana Leite
susana@informativo.com.br

 

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Nas mãos da Justiça

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A construção da usina hidrelétrica de Belo Monte poderá sofrer um novo revés se a Justiça Federal de Brasília acompanhar voto da desembargadora Selene de Almeida, que nesta segunda-feira foi favorável a que os índios que serão afetados pela usina precisam ser consultados pelo Congresso Nacional antes do início das obras. A decisão foi adiada após um pedido de vista. Selene de Almeida acolheu ação do Ministério Público do Pará, que tenta suspender a construção de Belo Monte argumentando que o Ibama autorizou a instalação da usina sem consulta adequada aos índios das terras Paquiçamba e Arara da Volta Grande do Xingu, que vivem no trecho do rio Xingu que terá vazão reduzida por causa da usina.

Na ação contra a União, o procurador Felício Pontes, do Ministério Público Estadual, argumenta ainda que o decreto legislativo que autorizou a construção da usina, em 2005, tem vícios, porque foi alterado pelo Senado e não voltou à Câmara dos deputados. Os advogados da União, Diogo Santos, e da Eletrobras, Édis Millaré, afirmaram que a mudança havia sido apenas de redação. “A alteração não foi de redação, foi de conteúdo”, retrucou a desembargadora. Em seu voto, Selene Almeida afirmou ainda que ouvir os índios significa obter “a concorrência, a concordância”, e que tanto os índios quanto as 400 famílias de ribeirinhos que serão removidas pela usina têm direito ao uso tradicional de suas terras. “Hoje a sociedade nacional só tem a oferecer aos índios doença, fome e desengano.” Fonte: Folha de S. Paulo

Gigliola Casagrande
gigi@informativo.com.br

 

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