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ALARME: a escassez de água em São Paulo: Oded Grajew

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Diante da crise da água em São Paulo, o coordenador geral da Rede Nossa São Paulo e do Programa Cidades Sustentáveis, Oded Grajew, que com Frei Betto está nas origens do projeto Fome Zero, faz um apelo às autoridades e aos cidadãos para que assumam as devidas responsabilidades. O que está ocorrendo em São Paulo, pode ocorrer, dentro de poucos anos, em grande parte daTerra inteira. Caso se cruzarem as duas linhas, a do aquecimento global com o da  falta de água potável, conheceremos o pior dos cenários. A natureza padecerá dizimações inimagináveis e milhões de pessoas terão que emigrar para o ignoto no afã de sobreviver.Oucuidamos da Mãe Terra com seus bens naturais, essenciais à vida em todas as suas formas, ou então nossa civilização corre sério risco de ser gravemente afetada como correu com a civilização da ilha de Páscoa e com a grandiosa civilização maya. Daí a importância de lermos e de meditarmos esse Alarme de Grajew. Como nunca antes da história, nosso futuro está em nossas mãos. E desta vez não podemos chegar atrasados nem cometer erros, pois não haverá tempo para corrigi-los e também não haverá retorno:

Leonardo Boff

*************************

A cidade de São Paulo está diante de uma catástrofe social, econômica e ambiental sem precedentes. O nível do sistema Cantareira está em cerca de 6% e segue baixando por volta de 0,1% ao dia. O que significa que, em aproximadamente 60 dias, o sistema pode secar COMPLETAMENTE!

O presidente da Sabesp declarou que o sistema pode ZERAR em março ou, na melhor das hipóteses, em junho deste ano. E NÃO HÁ UM PLANO B em curto prazo. Isto significa que seis milhões de pessoas ficarão praticamente SEM UMA GOTA DE ÁGUA ou com enorme escassez. Não é que haverá apenas racionamento ou restrição. Poderá haver ZERO de água, NEM UMA GOTA.

Você já se deu conta do que isto significa em termos sociais, econômicos (milhares de estabelecimentos inviabilizados e enorme desemprego) e ambientais? Você já se deu conta de que no primeiro momento a catástrofe atingirá os mais vulneráveis (pobres, crianças e idosos) e depois todos nós?

O que nos espanta é a passividade da sociedade e das autoridades diante da iminência desta monumental catástrofe. Todas as medidas tomadas pelas autoridades e o comportamento da sociedade são absolutamente insuficientes para enfrentar este verdadeiro cataclismo.

Parece que estamos todos anestesiados e impotentes para agir, para reagir, para pressionar, para alertar, para se mobilizar em torno de propostas e, principalmente, em ações e planos de emergência de curto prazo e políticas e comportamentos que levem a uma drástica transformação da nossa relação com o meio ambiente e os recursos hídricos.

Há uma unanimidade de que esta é uma crise de LONGUÍSSIMA DURAÇÃO por termos deixado, permitido, que se chegasse a esta dramática situação. Agora, o que mais parece é que estamos acomodados e tranquilos num Titanic sem nos dar conta do iceberg que está se aproximando.

Nosso intuito, nosso apelo, nosso objetivo com este alarme é conclamar as autoridades, os formadores de opinião, as lideranças e os cidadãos a se conscientizarem urgentemente da gravíssima situação que vive a cidade, da dimensão da catástrofe que se aproxima a passos largos.

Precisamos parar de nos enganar. É fundamental que haja uma grande mobilização de todos para que se tomem ações e medidas à altura da dramática situação que vivemos. Deixar de lado rivalidades e interesses políticos, eleitorais, desavenças ideológicas. Não faltam conhecimentos, não faltam ideias, não faltam propostas (o Conselho da Cidade de São Paulo aprovou um grande conjunto delas). Mas faltam mobilização e liderança para enfrentar este imenso desafio.

Todos precisamos assumir nossa responsabilidade à altura do nosso poder, de nossa competência e de nossa consciência. O tempo está se esgotando a cada dia.

Oded Grajew
Rede Nossa São Paulo 16/01/2015

Fonte: leonardoboff.wordpress.com

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Uso racional vem antes do racionamento

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Vivenciar a mais significativa crise de abastecimento de água no Brasil traz muita reflexão. Conscientes de estarmos lidando com um recurso que é naturalmente escasso, a pauta é muito clara: o que fizemos até aqui para o uso racional da água?

Com a estiagem, a fragilidade do sistema de abastecimento e a iminência do racionamento, é fundamental contribuir para amenizar a questão. É preciso avançar nas ações. Somando-se às obras estruturais e às campanhas públicas de conscientização, a agenda da indústria tem tido bons resultados com medidas de captação da água da chuva, racionamento e reuso.

Em larga escala, a indústria de eletrodomésticos tem um papel relevante para esse uso racional. Com vultosos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, tem criado, por meio de inovação, novos processos, soluções e produtos com potencial de redução efetiva de consumo. Mas a ampliação do uso sustentável da água depende de um projeto conjunto entre indústria, governo e sociedade.

A Organização das Nações Unidas estabelece 110 litros de água per capita para o consumo e higiene diários. No entanto, estima-se que o brasileiro consuma 250 litros. Neste cenário, economia deveria ser palavra de ordem. Estamos falando de um processo que depende da mudança de hábito da população para evitar o desperdício. Em um país onde é comum as pessoas lavarem calçadas e carros com água pura, é gritante a necessidade de educação.

Na Grande São Paulo, por exemplo, o Governo se mobilizou para promover a mudança de hábito da população. Por meio de uma campanha de incentivo, a SABESP, companhia de abastecimento local, passou a oferecer 30% de desconto nas contas que reduzirem o consumo. 79% dos consumidores conseguiu uma redução de pelo menos 20%. É uma iniciativa que pode ser seguida por outros estados.

Em outra experiência, as indústrias Reckitt Benckiser e Whirlpool, em parceria com a Companhia Catarinense de Água e Saneamento, promoveu um desafio para 50 famílias em Florianópolis. Em apenas três meses, elas economizaram 414 mil litros de água – o equivalente a 42 caminhões-pipa, a partir de uma simples mudança de rotina: lavar a louça em um eletrodoméstico ao invés de lavar à mão. Nesta campanha de mobilização, a água economizada é suficiente para suprir o consumo dos participantes por dois anos e meio.
Ao que parece, a conscientização e a educação da sociedade são caminhos viáveis para desenharmos um futuro mais otimista.

Fonte: Armando E. do Valle Junior, Vice-Presidente de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Whilrpool Latin America.

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Estudo revela que 90 das 100 maiores cidades reduzem pouco ou nada o desperdício de água

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Das 100 maiores cidades brasileiras, 90 não conseguiram reduzir as perdas de água decorrentes de vazamentos, erros de medição, ligações clandestinas e outras irregularidades, entre os anos de 2011 e 2012. A constatação integra o ranking de saneamento básico divulgado nesta quarta-feira, 27 de agosto, pelo Instituto Trata Brasil.

O levantamento, cujos dados são do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, revela que nestas cidades, a redução das perdas foi nula ou de até 10%.

O ranking considera perda aquela água que foi tratada e fornecida para consumo, mas que não foi cobrada porque se perdeu em vazamentos, foi roubada em ligações clandestinas ou teve erros na medição. Sem o retorno do dinheiro gasto com energia e produtos químicos para tratar a água, as empresas investem menos na melhoria do sistema.

Segundo o levantamento, em 62 das 100 cidades analisadas, se perdeu entre 30% e 60% da água tratada para consumo no ano de 2012. Em cidades como Porto Velho e Macapá, a cada 10 litros de água produzidos, 7 eram perdidos. Somente quatro municípios conseguiram manter as perdas abaixo de 15%.

“Isso é preocupante vindo de cidades que têm poder econômico para resolver essas perdas e que deveriam impulsionar a melhora deste indicador, que tem uma influência grande na expansão do sistema de saneamento básico”, afirmou ao G1 o presidente-executivo da Trata Brasil, Édison Carlos.

Sobre as cidades com perdas acima de 70%, o presidente executivo do Trata Brasil ressaltou que o quadro é de “descontrole total”. “Não há controle de vazão, de pressão das linhas. As perdas são altíssimas”.

O outro lado

A Companhia de Água Esgoto do Amapá (Caesa) contesta o dado do ranking e afirma que metade da água tratada e consumida pela população da capital é perdida – o estudo afirma que as perdas são de 73,91%, o maior índice entre as 100 cidades avaliadas.

A Caesa calcula que deixa de faturar R$ 2,5 milhões mensais com as pessoas que não pagam tarifas e desperdiçam. Elas são, em sua maioria, moradores de áreas de periferia que não têm acesso à água encanada, segundo o diretor-presidente da autarquia, Ruy Smith.

Em Porto Velho, a presidente da Companhia de Água e Esgoto de Rondônia (Caerd), Iacira Azamor, confirma que há perda de 70% da água tratada na capital. Segundo ela, um contrato para revitalização da rede de água visando reduzir as perdas será feito em setembro. A previsão é de que a obra seja concluída em um ano, reduzindo as perdas para 20%. “Hoje nosso grande problema são os furtos de água, o que também deve ser resolvido com esta obra”, afirma Iacira.

Desde 2009, o Instituto Trata Brasil elabora o ranking que avalia as condições de saneamento básico em 100 cidades brasileiras com mais de 250 mil habitantes. São analisados critérios como rede de fornecimento de água potável, coleta e tratamento de esgoto, além das perdas de água.

Escassez

O presidente executivo do instituto explica que as perdas refletem diretamente no quadro de escassez, porque quanto mais água se perde, mais do recurso precisa ser retirado da natureza. “Esse problema tem de ser o foco das empresas de saneamento”, defendeu Édison Carlos.

Cidade que atualmente enfrenta um longo período de seca, sendo abastecida pelo volume morto de reservatórios, São Paulo teve perda de 36% da água – com nenhuma redução das perdas, se comparado com 2011.

Se foram classificados os 100 municípios por ordem dos que mais perdem água, a capital paulista fica em 57º lugar.

A Sabesp rebateu os dados afirmando que, se considerado apenas os vazamentos, a empresa tem índices melhores que o de países desenvolvidos. “Esse indicador era de 20,3% no início de 2014 e já caiu para 19,8% em junho/2014. Nos melhores sistemas do mundo, como Japão e Alemanha, as perdas físicas estão em torno de 8%. No Reino Unido são de 16%, na Filadélfia (EUA) são 25,6%, na França, 26%, e na Itália, 29%”, informou a companhia em nota.

Ranking

Lideram o ranking do saneamento básico das 100 maiores cidades do país Franca (SP), Maringá (PR), Limeira (SP), Santos (SP) e Jundiaí (SP). A maioria das cidades que estão nos 20 primeiros lugares no ranking já universalizaram o abastecimento de água, a coleta e o tratamento de esgoto.

No outro extremo estão Porto Velho (RO), Ananindeua (PA), Jaboatão dos Guararapes (PE), Belém (PA) e Macapá (AP), com os piores resultados.

Das 20 cidades com melhor colocação no ranking, 16 estão no Sudeste. Apenas duas são capitais: Curitiba e Belo Horizonte. Entre as 20 piores há seis capitais: Porto Velho, Belém, Macapá, Teresina, Manaus e Natal. Veja o ranking completo aqui.

As 20 melhores e as 20 piores do ranking do saneamento

1- Franca (SP)
2- Maringá (PR)
3- Limeira (SP)
4- Santos (SP)
5- Jundiaí (SP)
6- Uberlândia (MG)
7- São José dos Campos (SP)
8- Sorocaba (SP)
9- Curitiba (PR)
10- Ribeirão Preto (SP)
11- Ponta Grossa (PR)
12- Taubaté (SP)
13- Londrina (PR)
14- Niterói (RJ)
15- São José do Rio Preto (SP)
16- Volta Redonda (RJ)
17- Praia Grande (SP)
18- Belo Horizonte (MG)
19- Uberaba (MG)
20- Piracicaba (SP)
81- Natal (RN)
82- Manaus (AM)
83- Várzea Grande (MT)
84- Cariacica (ES)
85- Aparecida de Goiânia (GO)
86- Belford Roxo (RJ)
87- Canoas (RS)
88- Juazeiro do Norte (CE)
89- Teresina (PI)
90- São Gonçalo (RJ)
91- Santarém (PA)
92- Gravataí (RS)
93- Duque de Caxias (RJ)
94- São João de Meriti (RJ)
95- Nova Iguaçu (RJ)
96- Macapá (AP)
97- Belém (PA)
98- Jaboatão dos Guararapes (PE)
99- Ananindeua (PA)
100- Porto Velho (RO)

Vazamentos contribuem para o desperdício de água. Foto: Playing Opossum Press

O estudo completo pode ser acessado pelo link: http://www.tratabrasil.org.br/datafiles/estudos/ranking/release-ranking-2014.pdf.

Fonte: envolverde.com.br

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Ministra alerta para baixa reserva de água no Brasil

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, alertou na quarta-feira (20) para a baixa reserva de água no país, lembrando a situação vivida no início desta semana pelos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo e Minas Gerais em relação ao abastecimento do Rio Paraíba do Sul.

Izabella disse que o país precisa discutir a questão. “Se você tirar todos os reservatórios de energia elétrica do país, sobra muito pouco para o abastecimento. Temos que discutir a reservação e também a estrutura de redundância.” Ela citou o próprio Rio de Janeiro, explicando que o estado tem “forte dependência” do Rio Paraíba do Sul por ter pouca reservação. A estrutura de redundância citada pela ministra trata da existência de sistemas auxiliares de estrutura hídrica que podem suprir eventuais falhas no sistema principal.

“Se não chover em determinada região, seria possível deslocar água de outras áreas para atender àquela região. Segurança hídrica é garantir que se oferecerá água em situações de estresse”, explicou a ministra, após o lançamento do Plano Nacional de Segurança Hídrica (PNSH), em Brasília.

O PNSH vai ao encontro dos problemas enfrentados pela Região Sudeste nos últimos dias. O objetivo é diagnosticar quais áreas de gestão e de infraestrutura do setor devem sofrer alterações para que não haja escassez no fornecimento de água a partir dos próximos anos.

De acordo com o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, o PNSH vem para garantir o abastecimento de água para a população, independentemente da ocorrência de chuvas no país. O trabalho da agência nesse cenário é planejar as mudanças que serão executadas pelos estados ou pelo governo federal em uma etapa posterior.

O plano é resultado de uma parceria entre a ANA, o Ministério da Integração Nacional e o Banco Mundial, no âmbito do Programa de Desenvolvimento do Setor Água. O PNSH tem prazo até 2020 para identificar as necessidades do setor de recursos hídricos e até 2035 para realizar as intervenções necessárias em barragens, sistemas adutores, canais e eixos de integração. A meta é que as obras identificadas pelo plano sejam realizadas, primordialmente, pelo Ministério da Integração Nacional e seus parceiros nos estados e em âmbito federal.

Fonte: Agência Brasil

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22 de março é o Dia Mundial da Água

quinta-feira, 21 de março de 2013

Tida como recurso essencial para a manutenção da vida na terra, a água está se tornando o centro das atenções em debates e reuniões quando o assunto é sustentabilidade. A preocupação é tanta, que fez com que a ONU – Organização das Nações Unidas – definisse o ano de 2013 como o Ano Internacional de Cooperação pela Água. Além disso, no dia 22 de março é comemorado o Dia Mundial da Água, estabelecido desde 1992.

Abundante em algumas regiões e escassa em outras, atualmente 145 países tem que compartilhar uma grande bacia hidrográfica com pelo menos mais uma nação. O consumo não planejado e o crescimento da população, estão deixando estudiosos e cientistas atentos a uma possível escassez.

Foi por isso que em 2005, a ONU lançou a resolução Década Internacional para Ação “Água, Fonte de Vida”, que deve durar até 2015. A resolução afirma que o objetivo principal da Década deve ser um foco maior nas questões relacionadas à água em todos os níveis, bem como na implementação de programas relacionados à água de forma a atingir os objetivos acordados internacionalmente sobre questões ligadas à água contidos na Agenda 21, nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas e no Plano de Implementação de Johannesburgo.

Em dezembro de 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2013 como o Ano Internacional das Nações Unidas da Cooperação pela Água. Foi decidido que o Dia Mundial da Água 2013, celebrado em 22 de março, também terá como tema a Cooperação pela Água. A campanha, que é coordenada no Brasil pela Unesco, tem cinco objetivos estratégicos:

1.    Conscientizar sobre a importância, os benefícios e os desafios da cooperação em questões relacionadas à água;
2.    Gerar conhecimento e construir capacidades em prol da cooperação pela água;
3.    Provocar ações concretas e inovadoras em prol da cooperação pela água;
4.    Fomentar parcerias, diálogo e cooperação pela água como prioridades máximas, mesmo após 2013;
5.    Fortalecer a cooperação internacional pela água para abrir caminho para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável defendidos por toda a comunidade que trata sobre água e atendendo às necessidades de todas as sociedades.

Entende-se que a cooperação pela água é crucial para a erradicação da pobreza, a igualdade social e a igualdade de gênero. O acesso à água potável é a fundação para a realização das necessidades básicas humanas e contribui para o alcance de todos os objetivos de desenvolvimento do milênio. A governança inclusiva e participativa da água e a cooperação entre diferentes grupos podem ajudar a superar a desigualdade no acesso à água e assim contribuir para a erradicação da pobreza e para a melhoria das condições de vida. A cooperação pode levar a um uso mais eficiente e sustentável dos recursos hídricos como, por exemplo, por meio de planos de manejo compartilhado que criam benefícios mútuos e melhores padrões de vida.

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Cuidados: Água boa depende de um solo saudável

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O solo é fator fundamental para fornecer uma água de qualidade tanto para consumo humano quanto para ingestão animal. Se a chuva cair em solo contaminado, o líquido que escoar pelas correntes não será o mais indicado para uso. Para a formação do solo, diversos processos devem ser observados.

Conforme a bióloga Cátia Viviane Gonçalves, é preciso primeiro entender que o solo é formado a partir da rocha, por meio da participação dos elementos do clima -  como chuva, gelo, vento e temperatura – que, com o tempo e a ajuda dos organismos vivos, vão transformando as rochas, diminuindo o seu tamanho até que vira um material mais ou menos solto ou macio, também chamado de parte mineral. “A chuva fornece o principal elemento responsável pelas reações químicas na rocha, a água. A água, além de reagir com outras substâncias, causa um desgaste da rocha pelo impacto sobre ela. São diversos processos que, atuando em conjunto, darão origem ao solo”, explica.

Entre algumas funções do solo, pode-se citar o armazenamento, o escoamento e a infiltração da água da chuva e de irrigação; armazenamento de nutrientes para as plantas; ação filtrante e protetora da qualidade da água; matéria-prima ou substrato para obras civis; cerâmica e artesanato. “Se formos pensar nisso, a água obtida de lençóis freáticos e as águas subsuperficiais nada mais refletem do que o solo em que estão. Se a água da chuva cair sobre um solo contaminado de óleo ou esgoto, ela irá se contaminar. Se a água cair em um solo saudável, sem poluição, ela tenderá a adquirir as características do solo e carear os minerais”, esmiuça. Ela lembra que é fácil ver isso ao olhar o rótulo de duas águas minerais produzidas em lugares diversos. “São diferentes, pois os solos são diferentes. A água reflete o solo por onde ela passou”, esclarece.

O solo é uma entidade viva, tem seus processos e é completamente vulnerável à forma como está sendo utilizado. Além disso, a bióloga salienta que a ação da água da chuva sobre os terrenos continua sendo um dos principais agentes da degradação dos solos brasileiros. “As terras transportadas dos terrenos pelas enxurradas são, em grande quantidade, depositadas nas calhas dos cursos d’água, reduzindo a capacidade de armazenamento da água da chuva, ocasionando inundações, com graves consequências socioeconômicas. Além disso, com a água são arrastados os adubos e materiais orgânicos, contaminando a água”, completa.

Susana Leite
susana@informativo.com.br

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Flagra de desrespeito a natureza

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

No vídeo, os policiais do GPA de Estrela gravaram o depósito de efluentes em um arroio durante a época de seca no Vale do Taqauri. Assista

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CATÁSTROFES Natuais

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O planeta Terra é um sistema dinâmico, ou seja, está em constante modificação pela ocorrência dos fenômenos naturais. Alguns desses fenômenos têm origem na dinâmica interna da Terra, como a movimentação de placas tectônicas que geram atividades vulcânicas, terremotos e tsunamis. Outros são de origem externa e têm como causa principal a dinâmica atmosférica, que pode causar furacões, tempestades, ressacas, vendavais, secas, inundações, estiagem, entre outros. As intervenções humanas, como a exploração dos recursos naturais, o uso e a ocupação dos espaços naturais, também geram impactos. Entre os principais fenômenos naturais que podem ser induzidos ou potencializados pelo ser humano estão os escorregamentos, as inundações e enchentes e a erosão. Denominamos de desastre natural a ocorrência de um fenômeno natural que modifica a superfície terrestre e atinge áreas ou regiões habitadas, causando danos materiais e humanos.

A história da Terra e da espécie humana é caracterizada por várias relações de desequilíbrio, associadas com a ocorrência de desastres naturais. Muitos desses desequilíbrios pressionaram para que os grupos de humanos deixassem sua área e procurassem locais com melhores condições de sobrevivência. Desse passado longínquo, para os dias atuais, a humanidade apresenta uma distribuição pandêmica, com elevada concentração populacional nas áreas urbanas das cidades. Muitas cidades do Brasil e de outras partes do mundo estão localizadas sobre áreas vulneráveis e sujeitas a algum tipo de desastre natural em razão de inundações, secas, vendavais, furacões, granizo, terremotos, tsunamis, entre outros.

A ocupação humana das áreas vulneráveis aos desastres expõe ao risco toda a população localizada nesses espaços. Além disso, quanto maior a densidade da ocupação populacional, maiores serão os prejuízos para a população quando ocorrer um desses eventos extremos. A ocupação urbana das áreas de risco deveria ser restringida, mas como este controle não foi feito no início da expansão das cidades, hoje é necessário conviver com o risco de desastres naturais, mas existem medidas que amenizam ou evitam os efeitos destes acontecimentos. A observação dos eventos que ocorreram no passado em certa área fornecem as informações mais importantes para que se possa evitar surpresas. Hoje, os órgãos governamentais estão incentivando a implantação de sistemas de alerta de desastres naturais, que constitui uma maneira de conviver pacificamente com o desastre, buscando a redução dos prejuízos destes. Esta iniciativa já começou no Vale do Taquari, abalado frequentemente pelas inundações. Em 2003, a Univates iniciou a implantação de Sistema de Alerta de Enchentes, que se mostrou eficiente e ágil na previsão destes fenômenos, permitindo realizar alertas com várias horas de antecedência para que a população ribeirinha fosse removida das áreas de risco. Atualmente, o sistema está sendo revitalizado, e sua estrutura, ampliada.

Quem tem construções ou outras infraestruturas em algum local de risco de sofrer com algum desastre natural, deve ficar alerta às previsões de chuvas extremas, que sempre podem estar associadas a ventos fortes, granizo, descargas elétricas e, dependendo da intensidade e duração das chuvas, a inundações, enxurradas e deslizamentos. Nesse sentido, o seguro dos bens materiais duráveis, como os veículos e a moradia, é uma medida preventiva de primeira ordem. Se ocorrer qualquer situação que gere prejuízos materiais, o seguro fará a reposição do que foi perdido, não desestruturando as finanças da família. É outra dica de prevenção importante.

Prof. Rafael Rodrigo Eckhardt, professor da Engenharia Ambiental da Univates, com contribuições do CIH Univates

 

 

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Flagelados. A força das águas remove vidas

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Depois que as águas do Taquari subiram pela segunda vez, Ana Maria Koch decidiu pegar os pertences e encarar a realidade de quem fica no caminho das águas: abrigos públicos ou porões emprestados. Ela e mais 12 famílias habitaram por mais de meio ano o salão da Paróquia Santo Inácio, em Lajeado. No local, nada de privacidade, muito desconforto e problemas de vizinhança, separada apenas por uma lona. “Eram pais de família que ficavam bêbados, colocavam música alta, era uma falta de respeito generalizada.” 

Mas Ana não podia falar. Foi conivente com o silêncio das vítimas da enchente. Ana conta que os banheiros – femininos e masculinos – do condomínio improvisado eram disputados. “Dos três assentos no banheiro feminino, apenas um funcionava. Chuveiro, só no banheiro dos homens e sem porta. 

Com uma filha adolescente, ela revezava a vigília: “Primeiro meu marido cuidava a porta. Aí eu e minha filha tomávamos banho juntas, pois ela é uma mocinha, tem 16 anos. Depois, eu ficava na porta cuidando enquanto ele tomava banho e vice-versa.” Fora isso, ninguém controlava. “Um desrespeito total com os outros. Eu nunca mais desejo passar por isso.” 

Flagelada em 11 enchentes, Ana está ressabiada da força das chuvas. No tempo em que ficou hospedada, o marido, doente de câncer no estômago, ficou ainda mais doente. A pressão de ver filha e mulher amontoadas em um monte de roupas e móveis atulhados subiu, o cérebro não aguentou e deixou seu Vladmir com isquemia. Ele não fala direito, não caminha, não vai ao banheiro, não come sozinho e é 100% dependente de Ana. “Não tenho como trabalhar. A gente vive com menos de R$ 500 porque, quando ele se aposentou, tomamos alguns empréstimos e até hoje é descontado do salário.” A esse valor, somam-se R$ 70 do Bolsa Família. 

No fogão, a água apita. Naquela manhã, Ana não ia ter carne para o almoço, reflexo da falta de renda. Enquanto Vladmir ficava em casa, por conta do câncer, ela podia trabalhar; hoje, nem isso. “Uma faxina e outra, para equilibrar as contas. Mas nada mais.”

Transformação negativa

Da Francisco Oscar Karnal, a família Koch se mudou para a General Osório, no mesmo bairro, e perto da enchente. O aluguel da casa – R$ 300 – é pago pela Secretaria de Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sthas). Mas o prazo de permanência já venceu. A princípio, seriam seis meses sob a guarda da prefeitura. “Nós fomos conversar com a assistente social que nos disse que não é preciso se preocupar. Nós vamos ganhar uma casa da prefeitura no Bairro Santo Antônio, parece que adaptada para meu marido, agora cadeirante.”
No endereço tudo está à mão. Cama especial para seu Vladmir, televisão instalada, chimarrão e esperança de quem já passou poucas e boas na vida. Vez por outra ela escuta: “Tu és uma mulher forte, pode trabalhar, não precisa estar nessa situação”, replica. Como trabalhar com o marido acamado, que não tem condições sequer de ir ao banheiro sozinho? “Ele tem vergonha da menina. Só eu que dou banho e ajudo ele. Ele está dependente de mim em tempo integral.”
A filha, de 16 anos, espera um filho. O turbilhão de lama que arrasou a vida da família tirou do compasso também o andamento normal das coisas. “O namorado dela pediu uma prova de amor. Deu no que deu.” A menor está grávida de dois meses. O futuro pai já sabe do filho. O que foi amor, virou amizade, e a responsabilidade vem a reboque. “O importante é que estamos todos vivos, e a única coisa que eu perdi com essa enchente foi a nossa casa. Estamos aí, só que se houver uma próxima enchente, eu vou embora. Não fico mais aqui.”

Força de vontade

Líder do grupo de desabrigados que ficou mais de meio ano sob a guarda da igreja, Ana tira força de uma infância e adolescência difícil. Com todos os motivos para abandonar o marido e a filha e sumir, ela encheu o peito e encarou os fantasmas da vida real. “Eu não me abalo por pouca coisa. (…) Vim de uma família pobre, fui violentada pelo meu pai, ele foi preso. Eu acho que por ter passado por tudo isso, por ter vivido sozinha, eu aprendi a ser assim, como vocês dizem, forte.”

 Rodrigo Nascimento
rodrigon@informativo.com.br  

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Catástrofe: Se o Rio subir à cota 30, Lajeado submerge

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Ninguém esperava que no inverno de 1941, o Rio Taquari subisse tanto e marcasse 29,7 metros na régua que mede a vazão no Porto de Estrela. Naquele ano, muita gente perdeu para a enchente. Contudo, se a sinistra marca se repetir, ou até mesmo se superar, o efeito será sentido em quase toda a cidade. “Vai ser uma catástrofe. Hoje contamos com uma realidade muito diferente, o rio sobe um pouco mais e já nos preocupa”, constata Luis Felipe Finkler, chefe da Defesa Civil de Lajeado.

 

As estimativas de chuva para a primavera, que começa em setembro, mostram muita precipitação para a região e o risco iminente de grandes cheias. “Se o rio alcançar a cota 30, 50% da cidade de Lajeado ficará submersa. Até a prefeitura terá andares inundados”, prevê.
O estudo com o qual Finkler se baseia está projetado na cena urbana atual: muito concreto, asfalto, lixo acumulado nas calçadas, encostas dos rios e, para completar, bueiros entupidos. “A ocupação da cidade mudou, não há o que fazer quanto a isso. A comunidade precisa entender a importância da preservação.”
 

 

Piscinões

 
Finkler diz que existe uma solução. Porém vê baixo interesse na sugestão e uma conta que a prefeitura não teria condições de pagar. A construção de piscinas nas duas laterais da rua daria mais vazão à inundação e minimizaria, ou até mesmo retardaria, o impacto da enchente. “O projeto foi feito, levado a Brasília, mas de lá nunca saiu positivo para construção. Por enquanto, o que dá para fazer é criar ações que preservem o leito do rio e tirem das ruas a poluição”, destaca o chefe da Defesa Civil.
 
Cota 30
 
O Centro Estadual de Meteorologia, ligado à Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) projeta que a partir da segunda quinzena de agosto, uma nova frente fria ingresse com vigor no Estado, trazendo chuva forte generalizada.
A partir desse momento, o Vale do Taquari pode sofrer com enchentes. E a situação tende a se agravar no mês de setembro. O alerta parte do meteorologista Flávio Varone.
 

Atualmente, quando o Rio Taquari marca na régua do Porto de Estrela 19 metros, ele começa a transbordar em Lajeado e nas cidades vizinhas. Em 2011, o pico da enchente foi 26,85 metros. Quatro a mais, ou seja, 30, seriam implacáveis na região. “O efeito seria catastrófico, teríamos boa parte ilhada e desabrigada. Isso não está longe de acontecer”, conclui Finkler.A Defesa Civil tem até o mapa da enchente. Em Lajeado, a água começa a subir pela Rua Arnoldo Uri, ainda no Bairro Jardim do Cedro. No local, uma ponte é o medidor da cheia na cidade. “Quando ali fica tapado, em poucas horas outras partes da cidade estarão embaixo d’água.”

Rodrigo Nascimento
rodrigon@informativo.com.br

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